Eu sempre fui uma criança obediente. Mas quando se trata de ir brincar com os amiguinhos, eu dava umas choradinhas a mais. Nesse dia eu tinha acabado de tomar banho, e mamãe não queria que eu me sujasse. Mas meus amiguinhos continuavam brincando na rua. Eu não podia deixá-los brincando sozinhos! Aí consegui convencer a mãe a me deixar ir lá com eles... só pra olhar. Ela até deixou, mas com uma condição:
- Vai, mas é só pra olhar, e se tu se sujar, tu apanha!
Direta e reta. Mas qual criança vai olhar outras crianças brincando e ficar parada?
Eu fui e...desobedeci mamãe. Comecei a brincar de 'pega-pega'. Aí pra fugir dos meu amiguinhos, tive a brilhante ideia de correr atrás da minha casa. Tem tipo uma calçada e um poço coberto. Corri pra cima do poço e dei uma tropeçada violenta. Caí de boca num monte de terra. Vamos recaptular: eu tava brincando sem mamãe saber, tinha acabado de tomar banho e por um azar da vida acabei caindo de roupinha limpa num monte de terra. E nessas horas o que uma criança faz pra não apanhar ou levar bronca? chora!
Entrei pela porta de trás chorando igual condenada. Em vão. Levei uma surra e uma bronca; ambas lendárias.
- Eu não disse que não era pra ti sair? Eu não disse que não era pra ti brincar? Agora tá toda suja de novo! - Ela gritava enquanto me batia.
Moral da História: não importa se você não liga, sua mãe sempre está certa. Se ela disser pra você levar um guarda-chuva e um casaco num dia de calor , leve, porque vai chover! Coração de mãe nunca erra. Nem a mão pra bater depois.
Besos, Leide.
Faça tudo que mamãe mandar
Bora vacinar?
Uma vez na Infância eu passei por um trauma tão grande quando fui tomar vacina, que até hoje eu tenho pavor. Eu levei uma injeção que me deixou com a bunda ardendo uma tarde inteira. Nem sentar eu podia.
A uns dois anos atrás, eu fui tomar a vacina da rubéola (que na verdade eu deveria ter tomado aos 15, mas acabei indo só com 17). Eu lembro que conversei sobre vacinas com um amigo um dia antes...ele me disse que rubéola era tranqüilo. O pior era a de tétano, que doía por um tempo... Também porque fazia um tempo, eu tinha ido com uma amiga (a Tamara) porque ela precisava tomar vacina...Fiquei horrorizada quando vi que a agulhada fez sair sangue da traseira dela.
No outro dia cheguei no hospital, mostrei a minha carteirinha de vacinação pra moça e...
- Tá atrasada a da rubéola e a do tétano. Tu vai ter que tomar as duas.
- NÃAAAAAAAOOO! A DO TÉTANO NÃO, POR FAVOR. A DA RUBÉOLA JÁ TÁ ÓTIMO!!!
Fiz um pequeno escândalo saindo da salinha de espera e caminhando pelos corredores do hospital. Mamãe teve que ir junto senão eu fugia.
Eu entrei naquela sala e quando a moça foi preparar a vacina eu comecei a tremer. Aí ela falou:
- Eu to vendo que tu tá nervosa, espera ali fora no corredor com a tua mãe.
Beleza. Saí e tava mamãe sentada no banco me esperando. Quando cheguei perto dela, ela perguntou:
- Já tomou?
- Não, mas vamo embora? Não quero a do tétano.
- Mas é boba né? Uma guria desse tamanho com medo de vacina. (lembrando que eu tenho só 1,50 de altura)
Aí a moça me chamou na sala e falou:
- Primeiro a da rubéola.
Estiquei o braço e foi uma espetadinha de nada. Nem senti.
Respirei aliviada, mas logo fiquei tensa de novo. Vi ela chegando com a do tétano e pedindo pra eu levantar a blusa. Tomei uma agulhada na região dos culotes. Essa doeu um pouco mais, mas não tanto quanto eu imaginava. Aquela ainda ardeu um pouquinho o resto da tarde, mas nada comparado aquela que eu tomei na bunda quando criança.
Ela terminou de aplicar e falou:
- Pronto. Te vejo daqui a 10 anos pra tomar uma nova dose.
HÁ! Olhei pra ela com uma cara de “tu nunca mais vai me ver aqui tomando vacina”, tamanho o nervosismo que eu tava. Mas até que foi melhor do que eu esperava. A do tétano doeu um pouquinho mais, mas eu também me mexo muito, aí lógico que vai doer.
E recentemente eu fui fazer exame de sangue, pra saber meu tipo sanguíneo. Nesse eu fui sozinha. Pensa em alguém desesperado. Pra esse, meio mundo resolveu colocar medo em mim.
“Vão te tirar um litro de sangue”.
“Vai doer bastante, a agulha é bem grossa”.
“Vai doer sim, pois até que encontram tua veia tu vai tomando espetadas no braço”.
“ Não quero te colocar medo, mas vai doer sim. Bem pior que as vacinas convencionais”.
Pra quê inimigos, né? A família e os amigos já fazem esse trabalho.
Fui uma agulhadinha de nada. Tanto que quando a enfermeira terminou eu falei:
-Era só isso?
Tanta tensão pra nada.
Veremos se da próxima eu vou com menos medo!
Besos, Leide
Primeira Fuga
Bom, eu sou uma pessoinha muito envergonhada, muito tímida, e isso trouxe muitos problemas ao longo da minha vida. Eu deixo de fazer coisas, deixo de ir a certos lugares, e se vou, sempre tenho em mente que vai ser uma chatice. Tudo isso devido à vergonha. Isso é de certa forma, uma crise anti-social que vem desde quando eu era mais nova. Foi em uma dessas crises que eu resolvi fugir do jardim de infância. Vamos à história.
Fazia uns dias que eu não interagia com os meus amigos. Ficava sempre afastada das crianças brincando, até as tias do jardim ficar implorando pra eu ir brincar. Em um dia daquela semana chovia horrores, e não dava pra sair no pátio aberto, tinha que ficar todo mundo no pátio fechado. Foi aí que eu resolvi fugir.
Estavam todos no refeitório comendo, e como eu sou muito fresca se tratando de comida, naquele dia era provavelmente algo que eu não gostava. Resolvi sair do refeitório e olhar como estava a chuva. Eu estava sozinha no corredor que vai pro portão de saída da escola, e chovia demais mesmo. Foi aí que ouvi alguma tia lá dentro perguntar por mim, e um moleque desgraçado dizer que eu estava na rua. Nessa hora eu comecei a correr em direção ao portão, e quando eu estava abrindo a tia me viu da porta do refeitório e gritou meu nome. Pensei:
-Pernas pra que te quero.
Eu não sabia o que eu estava fazendo, e muito menos pra onde ia, só queria correr. A chuva dificultou minha fuga e alguns metros depois a tia do jardim me alcançou. Eu chorava demais, queria ir pra casa, queria sumir. Ela não conseguia me acalmar, e falada direto:
- Vamos voltar pra escola, tem uns trabalhinhos pra entregar, depois nós vamos pintar, vamos brincar...
Me convenceu. O problema é que eu continuava chorando, e quando voltei, descobri que não tinha trabalho nenhum pra pintar. A tia me enganou. Será que ainda rola de pedir uma indenização?
Depois disso eu parei, porque entrei pra pré-escola. Eu tinha medo dos professores. Mas quando entrei no ensino médio voltei à ativa de novo, seja simplesmente pra irritar os professores e vir pra casa, ou pra ir à padaria comprar pão de queijo.
Fato é que nunca fui suspensa, porque geralmente fugia a turma toda (só um ou outro que ficava) e não dava pra suspender todos. Foram dias felizes. Se eu tivesse a mentalidade que tenho hoje, teria fugido mais vezes...
Aí vai uma foto dessa época...
Besos, Leide.





